sábado, 9 de julho de 2011
Amor virtual (Microhistórias do cotidiano)
Conhecera ela pelo facebook. Foram cinco meses de encontros virtuais marcantes. Sentiam como tivessem vivido toda uma infância, uma vida inteira. Encontraram-se em uma cidade litorânea. Foram dias maravilhosos. Se amavam mas suas raízes estava muito presas ao lugar de origem. Ela não abandonaria sua vida. Ele não viria viver ao seu lado. Tinham casamentos em crise, mas não podiam acabar uma longa historia sem uma mudança radical. Não tinham coragem e nem condições financeiras para tanto. O que acontecera era parte de uma série de subterfúgios que continuariam acontecendo até que todas as possibilidades de felicidade se esgotassem. E eles, por certo, não mais se encontrassem....
O Adeus que não aconteceu (Microhistorias do cotiano)
Quando chegou a casa estava vazia. Só ficaram as lembranças do lugar. Sentou-se na escada. Tentou entender . Sabia que ela não existiria mais em sua vida por um longo tempo. O que havia entre eles havia acabado. Duro admitir,mas era verdade. Só restavam saudades que tomavam os espaços da casa. Os dias seguintes foram de recomeço. Ele ia para o trabalho e voltava. Ela não atendia os telefonemas, mas ele também não insistiria. Pra que? .
Um dia bebeu um porre homérico. Falou dela entrelinhas. No dia seguinte, a ressaca acabou e com ela veio o esquecimento dela. Amou dezenas de outras mulheres, mas não esquecia de lembrar que ela poderia ter olhado em seus olhos e dizer adeus.
Um dia ela ligou. Perguntou por ele. Ele estava bem, falou. Desligou. Ela sempre fora estranha, ele sabia. Como sabia que ela nunca mais amara alguém como lhe amou.
Crê
...crê nas mudanças,nas mutações, na esperança, na beleza de existir...amar, prosseguir na luta sempre presente, porque o tempo gregoriano leva mais um ano, as novas estações estão chegando,- existem os percalços, as decepções,- mas também há a aventura de viver, a alegria de nao se deixar vencer, derrotar...
....acredite, lute, a vida é do tamanho de nossos sonhos e de nossas lutas.
....acredite, lute, a vida é do tamanho de nossos sonhos e de nossas lutas.
Micromundo
....no micro mundo de Manaus,- que passa sem atenção,- a joaninha enfrenta a chuvazinha de verão...joaninha urbana, luta como a turba humana, por sua vida...
... pode ser fugaz, pode ser tudo mais...mas, a vida é voce quem faz...
... pode ser fugaz, pode ser tudo mais...mas, a vida é voce quem faz...
Aos que virão depois de mim
...quero a liberdade de fazer meu próprio caminho no mundo, escolher as causas porque lutar, pelo que viver...quero a liberdade de errar. de recomeçar. de perder e ganhar, de amar, sofrer,de não desistir, de aprender e ensinar aos que vem depois de mim...quero a liberdade de rir das mentiras dos que falam em nome da verdade, dos que têm a fórmula exata para ser feliz...
...quero a liberdade de não me aprisionar a um trabalho e a uma crençã que signifique escravidão e que compre meu tempo de forma absoluta, que tire o sentido e o instinto da luta, que imponha o silêncio dos covardes e me faça indiferente ao sofrimento da mais pobre gente e dos animais...
...quero a liberdade de duvidar dos dogmas estabelecidos manchados pelo sangue dos que como eu também questionaram um sistema, um poder, uma fé....quero a liberdade de poder viver, livre e feliz....
Olhar
...fim de junho, observo a vida com os olhos da esperança e a decisão das grandes lutas que acontecem todos os dias ... a vida persiste, ela tem seus rumos, o verão tem dias de luz e o amor define os caminhos no cotidiano do tempo que existe...
Conexões
....tudo está interligado...a solidão é uma ilusão...criação...destrui ção, faces multiplas de uma mesma verdade...tecelão do espaço e do tempo...eu sou...
....eu sou o fluxo da energia das partículas....movimento e ritmo...yin e yang...onda e energia...dança do universo...
....eu sou o fluxo da energia das partículas....movimento e ritmo...yin e yang...onda e energia...dança do universo...
Ai de ti Manaus que abandona os animais
Ai de ti Manaus (minha solidariedade aos animais sacrificados em Manaus na semana passada, meu apoio aos `cachorreiros e GPA`)
...após abandonar...começaram a sacrificar os animais...depois desistiram das crianças pobrezinhas...os idosos...os doentes...
ai de ti Manaus e teus governantes que sacrificam sua gente...que tirou o amor do coração e da mente...
...ai de ti Manaus...manazinha, humilhada, pelos novos burgos e comensais do poder...
...ai de te Manaus...se nao te levantas e ajuda quem só pede uma chance pra viver...
...após abandonar...começaram a sacrificar os animais...depois desistiram das crianças pobrezinhas...os idosos...os doentes...
ai de ti Manaus e teus governantes que sacrificam sua gente...que tirou o amor do coração e da mente...
...ai de ti Manaus...manazinha, humilhada, pelos novos burgos e comensais do poder...
...ai de te Manaus...se nao te levantas e ajuda quem só pede uma chance pra viver...
Pensamentos - foto Chico Batata
Pensamentos são como pontes ligando realidades e abstrações. Criando mundos . Emaranhado de sentidos e sentimentos dando forma ao que não existia, ao existente, a possível realidade do amanhã. Pensamentos são nuvens, leves, flocos de algodão, colchões flutuantes, - são também de chumbo, fogo e ira do trovão. Pensamentos são pássaros famintos por liberdade ou prisioneiros de calabouços profundos e abissais. Pensamentos colorem a vida, dão-lhe a magia de existir. Pensamentos são cães abandonados nas ruas da cidade, tristes e sem rumo. Pensamentos são sementes da dor que vitima o amor. Pensamentos são o pão que alimenta os sonhos, as revoluções, as grandes paixões e impulsionam as grandes e micro decisões do cotidiano. Pensamentos são meridianos que separam a terra, que enfurecem os homens, que movem as guerras. Pensamentos são katanas afiadas para a luta. São também flores que se ofertam em nome da fraternidade. Pensamentos curam. Também devastam com o poder de mil megatons.
Pensamentos vibram entre os mundos. Aceleram o plasma da magia. Transformam essa realidade múltipla que cada um tem em vida.
O contrário existe...
...a razão de existirmos é porque existe o contrário...um equilíbrio planetário de vermelho e azul...como a noite e o dia...o norte e o sul...polaridades que distanciam e atraem na terceira dimensão...paixão, amor..alegria e dor...verdade e ilusão...a cor e o amor...os paradoxos que se conciliam na festa das tribos de todas as gentes na floresta...
...a razão de existirmos é porque o contrário também existe na dialética das mutações...das estações de todos os junhos desta Ilha Tupinambarana...nas canções que embalam os sonhos e os amores deste tempo...a razão de existirmos é porque o contrário também tem os seus guerreiros e suas cunhãs faceiras...guerreiras e sacerdotizas do grande rito da festança...bate o tambor...balança meu coração...é mês de junho...Parintins...boi bumbá, meu arraia, eu vou brincar...
...a razão de existirmos é porque o contrário também existe....
Chuvinha de junho...
...gosto da chuva fina que cai em junho...tantas festas juninas...tanto encanto e fantasia...quadrilhas e folguedos de boi bumbá...lembranças de criança...tantas lindas meninas...tanto amor e poesia....tanto arraiá...
Quando chegam as lembranças
Como as gotas da chuva diminutas caindo sobre a cidade as lembranças estão em todos os lugares onde caminho esta noite. Despertam os sentidos e tomam conta de mim. Dançam com Shiva, criação e caos, tecendo o espaço e o tempo, pontes imaginárias para outras dimensões que se sustentam na leveza do vento e se fragmenta em movimento e ritmo invadindo os cosmos, os mundos que vou criando para as memórias dessa jornada nas ruas semi escuras de Manaus. O vento é recorrente, tem gosto de sol e chuvas e são fecundas essas correntes de pensamento feito um rio de imagens e sentimentos que percorre as minhas veias e espelha no olhar vidas que vivi.
Leia os sinais
Leia os sinais. Eles passam por você e te acenam. Estão nos céus. Na terra. Em alguém que atravessou a rua. Em uma placa. Na frase ouvida no burburinho da rua,na cena de um filme. A vida sempre encontra um meio para falar para você dos teus caminhos, das tuas escolhas. Um insight. Um sonho. Sempre haverá uma mensagem falando de você para você porque suas conexões são também ligações com um universo mágico.
Quando o tempo muda
Datas são pontas de icebergs de dimensões profundas. São marcos. Ritos de passagem. Parâmetros do que é, do que foi, do que pode ser. Datas são marcas do tempo na paisagem da vida, passam e arrastam os dias, como as nuvens das grandes chuvas e os dias de sol da vida,- trazem as novas estações, as tempestades e o calor marciano destes trópicos. Datas são portulanos de mais um ano, esse que passa e se esvai, que devora as horas e anuncia seu fim onde conta o inicio e o meio das coisas sob um céu de junho em Manaus, porque não há um final absoluto, as teias das energias se espraiam por todo o corpo da cidade e das vidas onde o tempo muda,- e mesmo as lembranças do que passou sofrem suas mutações.
Caminho nas ruas e o tempo trilha sua vida. O trânsito é denso. O rugir dos motores traduz a canção da selva de pedra. Passam carros, as pessoas seguem seu destino, circunspectas em suas vidas, seus sonhos, seus dramas, sua existência, suas esperanças e alegrias. Antes a avenida estava deserta e somente alguns pássaros acordavam o dia . Eles também sabem que é preciso agir, que existe uma luta, uma meta, uma razão de ser. Existem as possibilidades do viver.
O tempo absoluto acorda a cidade. Tic e tac, tic e tac...O tempo é agora...
Quando o sol de põe
A vida é muito breve para tantos sonhos que alguém possa ter mas há momentos que valem uma eternidade por sua intensidade, pelas emoções presentes, por tudo que representa. Há momentos em que todos os sentimentos não conseguem traduzir e o melhor que se faz é sorrir, chorar talvez, mas amar com profundidade o essencial. Há saudades que ampliam a ausência e que alimentam as lembranças por toda uma existência. Há reencontros que reconstroem toda uma aventura de despedidas e as perdoam em nome de um recomeço. Há inevitével adeus e não temos certeza de que possamos rever o que amamos em algum plano de uma outra realidade. Há o silêncio que diz mais que todas as palavras que possa haver em todas as linguas do mundo. As palavras quedam-se tortas e vazias, despossuidas de sua sensibilidade, simples oralidade da grafia. Há ocasioes que seria mais fácil desistir e partir. Ir embora pelo mundo afora porque onde voce está é tão diminuto que aniqulia suas esperanças de futuro, mas há sempre uma necessidade de ficar e resolver o que depende somente de você e fugir não é opção. Coragem é resistir. Vida é dor que se sente e se transmuta em alegria em outro dia ou adotamos como algo transitório que breve irá embora, quem sabe nos levando juntos ou deixando-nos uma experiencia para todo o sempre. Então é preciso sobreviver hoje para lutar amanhã e importante esse hoje, chamado presente, que chega no correr das horas enquanto o planeta gira em torno de um sol, e as estações mudam, as pessoas também, as circunstâncias são outras mas mantém suas identidades impressas pelo que é ser humano.Algumas pessoas ficam outras vão embora, os fatos se acumulam e viram historia. E o tempo passa, arregaça a vida,a coloca de ponta cabeça, te vira do avesso, desafia teu eu. E essa vida não tão certinha, não previsível, é que te surpreeende, que quebra os conceitos da quase felicidade absoluta, e diz que o mundo é lindo, azul, de todas as cores, incluindo os tons de gris, os cinzas, as variações do branco, tanto quanto os pensamentos que inundam o mundo de esperança, de fé, de amor, da dor, da vida que acontece em sua plenitudade e na sua negação.É esse caos de todos os momentos que tece o prazer de existir e as oportunidades de prosseguir. É esse o tempo que temos, o que nos conduz. Um tempo em que quebramos os dogmas e as verdades absolutas e encontramos na simplicidade da vida o próprio sentido de Deus.
Fantasmas da Opéra (Microhistórias do cotidiano)
Eram três fantasmas da Casa de Opera. Unidos por um amor de 115 anos, desde que a casa fora construída na pequena cidade da floresta como um legado dos áureos tempos da produção de borracha na Amazônia. Eram três amantes, três artistas que em algumas noites gargalhavam pelos corredores vazios, que mexiam cadeiras e se apresentavam no palco para platéia nenhuma,- hospedes permanentes desde que o navio que o navio que os levaria de volta a Europa afundou em uma noite de tempestade na baia de Boiuçu, no Rio Negro.
Caruana (Microhistorias do Cotidiano), foto de Adalmir Chixaro
Vivia reclusa em um canto da ilha, no Rio Negro. Diziam que morava entre o mundo dos encantados, os caruanas e o dos homens. Tinha talvez mais de 80 anos. Fora a parteira de muitos que ali viviam. Curava com rezas e ervas da mata. Na o último eclipse da lua ela se fora. Alguém a viu entrar n`água prateada e juntar-se a iaras e botos indo para as águas profundas do rio.
Santo Antonio de Borba (Microhistorias do cotidiano)
Há cerca de 13 anos o artista plástico Mariusbell me liga para ir a Borba. Tinha um projeto de erguer um Santo Antonio de 13 metros, frente ao Madeira,na cidade Borba. Haviamos discutido a idéia em Manaus e o novo prefeito, Jones Karrer queria concretizar o sonho. Peguei um aviao e fui lá. Organizamos as primeiras equipes de trabalhadores. Poucos recursos. E lentamente o monumento foi sendo erguido. Todos os sábados estava por lá. Levava a imprensa junto. Voamos em pequenos aviões e aos poucos o sonho começava a ganhar forma.
O Alcy Hagge, Dona Bibi(já falecida), os moradores, as pessoas de Borba aguardavam com expectativa a inauguração. O bispo Dom José (já falecido) incentivava porque a fé em Santo Antonio é uma tradição secular no Madeira. Foi uma festa no dia da inauguraçao. 10 anos depois Marius organizou um encontro na Rede Amazonica, com patrocinio do Dr. Philippe Daou, do jornalista Milton Cordeiro, presença do futuro governador Omar Aziz, de Dom José, onde ganhamos diplomas alusivos à data. Marius hoje é uma espécie de Embaixador de Borba em Manaus, levando pessoas, artistas, intelectuais para lá. Minha familia, católica, é devota de Santo Antonio, e eu, que não tenho esse espirito fervoroso todo, oro para que Ele (Santo Antonio), nos ajude a construir um mundo melhor...
O Alcy Hagge, Dona Bibi(já falecida), os moradores, as pessoas de Borba aguardavam com expectativa a inauguração. O bispo Dom José (já falecido) incentivava porque a fé em Santo Antonio é uma tradição secular no Madeira. Foi uma festa no dia da inauguraçao. 10 anos depois Marius organizou um encontro na Rede Amazonica, com patrocinio do Dr. Philippe Daou, do jornalista Milton Cordeiro, presença do futuro governador Omar Aziz, de Dom José, onde ganhamos diplomas alusivos à data. Marius hoje é uma espécie de Embaixador de Borba em Manaus, levando pessoas, artistas, intelectuais para lá. Minha familia, católica, é devota de Santo Antonio, e eu, que não tenho esse espirito fervoroso todo, oro para que Ele (Santo Antonio), nos ajude a construir um mundo melhor...
O céu que nos pertence (Microhistorias do cotidiano)
O último Boing da Rico que andei na Amazônia explodiu uma turbina em Tefé e não mais tive noticias do avião. Um desespero. Tem gente daquele vôo que nunca mais subiu em uma aeronave.
Ficamos 10 horas no aeroporto de Tabatinga, fronteira com a Colômbia e o Peru, na rota do mesmo vôo, esperando uma outra aeronave que só chegou às 18 horas e somente com vaga para 18 pessoas. Estávamos indo para Manaus. Antes a empresa enviou um avião de apoio que teve problemas técnicos e retornou à Manaus. Fizemos a conta: o Boing se foi, a outra deu problema, a terceira não ia cair. Chovia muito...muito mesmo. Havia horas que o avião não se movia. Cansados chegamos às 10 horas no aeroporto Eduardinho. Quase fiz como o Papa e beijei o solo...
Riamos por nada, abraçávamos-nos como antigos amigos...na outra semana lá estávamos nós de novo no aeroporto, indo para qualquer lugar do mundo. Eu ia para Fortaleza e de lá para Lisboa...como se nada tivesse acontecido...
Namorada...
...a vida tem mais sentido quando estais comigo...se sorrimos, se brigamos, se acertamos... em troca temos muito mais amor que enganos...meu silêncio tem muito mais palavras quando digo que te amo...
O mundo de Quark (Microhistórias do cotidiano).
Quark era seu mundo. Um micromundo, com um trem, uma arvore, uma casa, um deserto. Verde e cinza. Azul e plúmbeo. Quark eram seus sentimentos de menino.Tinha esperanças de que a grama verde pudesse um dia chegar à terra seca e fria e que o sol iluminasse sua outra face. Pena que Quark nao existia para ele mudar para lá, andava cansado de um planeta chamado Terra que era tão grande mas estava vazio de amor...convidaria quem acreditasse no amor para ir com ele...
Viajante (Microhistorias do cotidiano)
Havia o rio amarelo gigante e serpentante passando em frente da cidadazinha no vale amazônico. Navios navegavam no horizonte indo e vindo de terras distantes. Não paravam naquela terra perdida. Desde menino ele sonhava em seguir com eles. Um dia o fez. Os seus nao queriam deixa-lo partir. Mas como você aprisiona o vento? O movimento? O pássaro livre? O sol? Como manter prisioneira uma alma que foi feita para andar no mundo e fazer de qualquer lugar, o seu lar?
Ocaso (Microhistórias do cotidiano)
Trabalhavam no mesmo jornal. Ele acadêmico, ela concludente do curso. Casada. Ela fazia correção dos seus textos. Ele admirava sua beleza e sua paz. Meses passaram, o marido dela morreu em um acidente. Ele acompanhou seu sofrimento. E lentamente seu despertar de uma nova vida. Envoltos em seus mundos, trocavam olhares. Um dia, estava com um amigo no micro apartamento em que morava quando ela chegou. Viera se despedir. Ele pediu que esperasse um momento, ficasse a vontade, voltaria rapidamente e desceu para ir aos Correios enviar uma correspondência urgente (era uma bolsa de estudo que ela ganhara). Demorou 20 minutos. Ao voltar ela não estava mais. O amigo entregou-lhe um bilhete. Abriu e leu: - eu te amo.
Ele saiu rapido pelas ruas do centro. Era sábado. Ela desaparecera. Os amigos nao sabiam para onde foi. Onde morava ninguem tambem tinha informacoes. Não mais a viu. Queria ter dito que tambem a amava.
Reencontro (Microhistórias do Cotidiano)
Passaram-se alguns anos e agora ele a reencontrava. O sentimento que havia sentido havia sumido. Custou a esquecer, chegou quase a enlouquecer, mas enfim, aquele amor silenciou dentro de si. Ele tinha muitas opções, apostou e perdeu. Compreendeu depois que as oportunidades que a vida lhe deu se esgotariam com ela. Ela quis outro alguém, mas não era feliz. Ele sabia, embora ela negasse seu abandono e tentasse salvar o que não mais existia.
A cumprimentou sorrindo, recebeu seu abraço e ficou com uma turma animada naquela festa. De longe, ela sentiu-se traída pela vida.
Mulheres de Marte (Microhistórias do Cotidiano), foto de Alberto Vina d`Almeida.
Os outros garotos gostavam jogar bola na praia. Os dois de ler Arthur C. Clarke. H.G.Wells, Isaac Asimov, Philip K. Dick, Stanislaw Lern, William Gibson. Quando o sol se punha no horizonte era como estar em Marte...sonhavam...
Ela era a mulher de Marte por quem ele se apaixonara e que um dia partiu com os pais e não mais voltou. Às vezes, ainda pensa nela...sorri olhando em busca de uma estrela no céu de nuvens escuras da noite...um cometa...uma luz...seu olhar...
Chuviscos (Microhistórias do cotidiano), foto de Maria Helena Santos.
Aproveitava-se do chuvisco para ficar bem coladinha dele. Sentir seu coração pulsar. Beija-lo. Ele era timido, sempre fora,e adorava seus carinhos. No quase inverno de Manaus eram dois namorados vivendo a vida com a serenidade que o tempo traz...
Brevidade (Microhistórias do Cotidiano), foto de Mario Pereira.
Não sabiam da brevidade da vida, seus conceitos, os grandes dramas humanos...entendiam a vida, tão somente, a vida simplesmente...
O dia de sol (in Microhistórias do Cotidiano),foto de Manuel Madeira.
A previsão do tempo anunciou chuvas fortes sobre a Amazonia. O céu chegou a ficar cor de chumbo ao meio dia, mas depois fez um dia de sol. Ele havia voltado e ela estava feliz. Não precisavam muito para ser felizes além de ter o por-do-sol como testemunha de seu amor..
A Joaninha - II
Em verdade eram duas joaninhas, sassaricando pelo jardim,- foi o que ela descobriu. Ele havia adormecido durante 03 horas naquela manhã, mas já estava de pé, com um sorriso de felicidade. Havia tanto a falar. As joaninhas encontraram-se e voaram juntas. Ele a abraçou e deu-lhe um beijo. Eram tantas saudades...(foto de valter patrial jr)
A Joaninha (Microhistorias do cotidiano)
A noite tinha sido indormida. Vôo de madrugada. Viagem longa. Estava exausto. O dia amanhecia. Domingo. Segunda tinha tanto a fazer. Pensou em ligar para uns amigos logo quando chegou em casa. Dizer: - estou de volta, mas decidiu não fazê-lo. Ligou pra ela que acordava. Ficou surpresa, mas feliz. A convidou para vir encontra-lo: havia uma joaninha no jardim. Precisava ver. Era linda.
O Lado Vermelho do Azul (foto de Alba Luna)
Era uma chuva de verão, rápida, com rajadas de ventos frios e perfurantes como agulhas. 19 horas, o rush ainda intenso. Carros comprimiam-se na avenida. As marquises das calçadas abrigavam transeuntes surpreendidos em ultima hora, afinal fizera um dia de intenso sol, calor marciano dos trópicos úmidos. Camelôs vendidam chapéus de chuvas. Ele escolheu um azul. Ela um vermelho. Encontraram-se por acaso na rua. Apressados trocaram olhares e lamentaram aquela chuva que ajudava a disfarçar a tristeza que ela sentia naquele fim de dia. Ele a fez sorrir e percebeu que a vida jamais seria a mesma sem ela.
Ela era o lado vermelho do azul.
Vôo
...vou junto com o voo dos pássaros no meu desejo de viajar o mundo...livres e leves com o vento, levam em suas asas meus pensamentos...
Lembranças do rio....
...tenho boas lembranças do nascer do sol viajando pelos rios...alguns momentos são super mágicos, eternizam-se no tempo...um mundo de águas com todas as cores da vida...barcos, navios, igarités, pequenas canoas,- estradas liguidas sob o ceu de um planeta azul...(foto de Manoel Francisco)..
Amanhã
.....amanhã quando você acordar...você pode levar: as nossas melhores lembranças...meu beijos, todos meus desejos que são seus, todo meu amor...leva também todas as minhas (tuas) saudades, que de tantas, não cabem nesta cidade...amanhã quando acordar me levas também contigo ....
Parece....
...parece inverno...parece... mas o tempo aquece um verão...parece aventura errante...parece... mas enlouque a razão....parece que esquece mas acalanta as lembranças de tudo...e não mais que de repente, todo conta do meu mundo...
Meu Pintinho (Lembranças do Pai)
Era um pintinho quando chegou em casa, numa sucessão de tentativas de adotar um pet. Já haviam passado por lá vários peixes e dois aquários. Peixescidios aconteciam quando viajávamos e alguém (sempre havia) que achava que os bichinhos estavam com fome, - magérrimos cardinais, peixes beta, telescópios acaras-dsco - que apareciam boiando como bois gordos nas águas do Amazonas, mortos e felizes com o banquete de ração. Tentamos até mesmo uns pets eletrônicos trazidos do Japão mas meninos não tinham muita disciplina para cuidar dos nipônicos.
Escolhi o mais robusto dos pintinhos amarelos no petshop. Meu filho Tiago aprovou. A mãe não gostou muito da idéia porque lembrou que um gato dera fim a um hamster que eu havia comprado clandestinamente na avenida Eduardo Ribeiro. Mas eram três meninos, meus filhos Tiago e Lucas, mas o sobrinho Betinho, que queriam ter um pet. Coração de pai também é bobo. E meus ouvidos não esquecem os puxões de orelha que levei pela iniciativa.
Mas agora, era uma outra fase. Que mal havia ter um pintinho? Tudo ia as mil maravilhas. Um doce de pet que foi crescendo, faminto, ruidoso, - , que começou a estraçalhar o jardim da casa em busca de minhocas, =, que bagunçava a arrumação da sala e fazia a festa nos estofados e até na cama onde dormia.
A situação chegou a um limite. Os meninos e eu fomos vencidos. A turma da ordem venceu e exilaram o pintinho. Nossa assistente Edina levou para uma comunidade rural. Semanas depois disse que o pintinho na verdade era uma pintinha, uma galinha.
Essa história tem alguns anos, os meninos cresceram, nossa galinha nunca mais foi vista e suspeito que virou ceia de Natal na comunidade rural. Os meninos adotaram a internet e o mundo nunca mais foi o mesmo ...
Nossa primavera
...e se existe amor em tu, um amor em mim, e nos amamos,- na nova estação as chuvas trazem uma primavera sem fim por todo o ano...
A primavera em Manaus
...é sempre primavera em Manaus, há flores nos jardins das praças, nas casas, nos espaços onde o concreto armado nao acabou com a sensibilidade dos que moram na cidade...inverno, verão, as chuvas renovam de flores e amores cada nova estação...
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Palavras minimas
Poucas palavras bastariam para mudar tudo...palavras mínimas e sentimentos profundos, - desses que mudam o mundo, que criam caminhos, que falam de amor e carinho, de verdades de nossas vidas...palavras nascidas do coração......palavras que poderíamos dizer...
Poucas palavras bastariam para começar nova paixão, novo e eterno amor...palavras mínimas, palavras essenciais para se viver...
Palavras minimas...como dizer sim, te amo...
quinta-feira, 7 de julho de 2011
Saudade de julho....
A chuva vai caindo lá fora e eu pensando agora, como está voce que eu nao vejo faz um tempo, mas que nao sai do pensamento...vem com a chuva,vem com o vento, essa lembrança tua....
chove lá fora... chove na rua... chove em mim essa saudade que nao cabe na cidade...saudade que mora em mim...
chove lá fora... chove na rua... chove em mim essa saudade que nao cabe na cidade...saudade que mora em mim...
(foto fabio belchior)
Pescador de sonhos (in Nova Estrela Guia), foto Adalmir Chixaro Chixaro
Pescador de sonhos eu sou...sonhador que sabe o sentido do amor e da dor...que cata os fragmentos dos momentos que a vida criou...pescador da luz do dia, da longa travessia das noites e madrugadas, do tempo de sol e das grandes tempestades dos dias de maio...
Pescador eu sou, pesco sonhos como peixes da estação...pescador que separa o sonho da ilusão, que navega as águas dos dias que vem, que vão, - ,banzeiros que passam no berço do rio, que batem no beiradão...que embalam os sonhos do coração.
Pescador eu sou, pesco sonhos como peixes da estação...pescador que separa o sonho da ilusão, que navega as águas dos dias que vem, que vão, - ,banzeiros que passam no berço do rio, que batem no beiradão...que embalam os sonhos do coração.
Resistir (Nova Estrela Guia)
Uma vez mais eu sou capaz de resistir, de prosseguir, nada desfaz meus sonhos de ser feliz... está em mim a essência do que eu quis, do que que faço, do que eu fiz, do que virá...esperanças alimentam essa jornada, a caminhada, essa estrada do amanhã do que será, do que chegou...no coração eu tenho amor, eu tenho paz...uma vez mais, eu sei...sou mais feliz.
Semente (in Nova Estrela Guia), foto de Ana Strobe Mendes
..como a semente que nasce no muro e insiste em viver, vou silente tecendo mesmo no escuro a luz do meu viver...
...passou o ontem... vivo o agora sem todas certezas definidas, vou caminhando a longa avenida da vida...passo a passo, recomeços, esperas e lutas renhidas, não me deixo matar, não me deixo morrer...
....esperanças... de verde teço minha existencia, meu viver.
...passou o ontem... vivo o agora sem todas certezas definidas, vou caminhando a longa avenida da vida...passo a passo, recomeços, esperas e lutas renhidas, não me deixo matar, não me deixo morrer...
....esperanças... de verde teço minha existencia, meu viver.
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