E vieram com as chuvas os sinais de uma nova estação e o fotograma do tempo imprime novas imagens no cotidiano, trazem para a memória invernos passados, historias contadas em outros momentos nos mesmos lugares. Lembranças renascem nos trilhos
d água da cortina líquida no horizonte e na janela do carro. Chove em mim as emoções dessa época, chove sobre a cidade as águas de um dia que será diferente, um portal de possibilidades novas ou renascidas do ontem que cumprem seu encadeamento factual. O corpo ainda insone acorda com os olhos de chumbo e o pensamento de pássaro sobre a vida. Dia a dia esta vida se conta não só pelo tempo mas pelo caos próprio dessa existência. Esperança é um nome que se dá a ausência do possível agora, uma condição que virá se cultivada ou não chegará jamais a seu destino se despedaçada pelas circunstâncias inesperadas. Os sinais do tempo estão pautados no presente e a chuva tem um desafio de uma introspecção necessária, uma volta a um útero materno abandonado, a um colo de alguém, ao abraço amoroso que se alimenta da ternura e do carinho, de um amor vezes tantas negado, mas que insiste em ser a condição para se ter sentido de existir. Sempre há alguém para amar e alguém sempre amará sua vida como única.
As calçadas estão molhadas, em esquinas amotinadas as saudade também esperam sua hora, a vida toda não para, e se o tempo envelhece, viver com intensidade rejuvenesce a alma que não se queda e segue seu caminho e conta minha história...

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